“Eu não sou despesa”: Campanha rebate fala preconceituosa de Bolsonaro

Uma campanha nas redes sociais rebateu o preconceito de Jair Bolsonaro contra pessoas com HIV. Em entrevista nesta quarta-feira (5), o presidente afirmou que apoia a sugestão de abstinência sexual, proposta pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, porque “uma pessoa com HIV, além de ser um problema sério pra ela, é uma despesa para todos aqui no Brasil”.

O Conselho Nacional de Saúde (CNS) não passou recibo. Moysés Toniolo, representante da Articulação Nacional de Luta contra a Aids (Anaids) no Conselho, desmascarou a nova falácia bolsonarista. “A saúde das pessoas que vivem com HIV e Aids é um direito garantido pela Constituição Federal. Dizer que somos despesa para todos aqui no Brasil é distorcer informações e manipular a opinião pública”, afirmou Toniolo.

 

Segundo ele, a dala de Bolsonaro “demonstra preconceito e total desconhecimento da política de HIV/Aids do nosso país, que é referência para o mundo. É com tristeza e indignação que vemos essa tentativa de retrocesso e discriminação. Investir na saúde é investir na vida”. Foi a partir da reação da CNS que a hashtag #EuNãoSouDespesa repercutiu nas redes.

A declaração de Bolsonaro ocorreu no lançamento da campanha de abstinência sexual do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. “Essa liberdade que pegaram ao longo dos governos do PT, que vale tudo, chega a esse ponto, uma depravação total”, emendou Bolsonaro, em outra grosseria eivada de preconceito e desinformação.

Não foi a primeira vez que Bolsonaro se referiu aos cidadãos brasileiros como “despesa”. Há alguns dias, o presidente afirmou que não o governo não traria brasileiros que estão na China porque “custa caro um voo desses”.