Sociedade Brasileira de Infectologia repudia associação entre vacinas e aids feita por Bolsonaro

O Comitê de HIV/aids da Sociedade Brasileira de Infectologia manifestou-se neste domingo (24), após o presidente Jair Bolsonaro afirmar em transmissão pelas redes sociais que pessoas totalmente imunizadas contra a covid-19 estariam “desenvolvendo aids”. A entidade afirmou que repudia “toda e qualquer notícia falsa que circule e faça menção a esta associação inexistente”.

“Não se conhece nenhuma relação entre qualquer vacina contra a COVID-19 e o desenvolvimento de síndrome da imunodeficiência adquirida”, afirma a SBI em nota. Além disso, a entidade lembra que pessoas que vivem com HIV/aids devem ser completamente vacinados para a covid. “Destacamos inclusive a liberação da dose de reforço (terceira dose) para todos que receberam a segunda dose há mais de 28 dias.”

A desinformação compartilhada por Bolsonaro foi produzida por um grupo negacionista do Reino Unido. “Outra coisa grave aqui, só vou dar a notícia, não vou comentar, já falei sobre isso no passado e apanhei muito. Relatórios oficiais do governo do Reino Unido sugerem que os totalmente vacinados, quem são os totalmente vacinados? Aqueles que depois da segunda dose, 15 dias depois após a primeira dose… estão desenvolvendo a Síndrome de Imunodeficiência muito mais rápido que o previsto”, disse Bolsonaro.

Procurado pelo G1, o Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido afirma que a publicação é de um site que divulga “fake news” e teorias conspiratórias e diz que a história não é verdadeira. “As vacinas contra a covid-19 não causam aids. A aids é causada pelo HIV”, disse Zahraa Vindhani, oficial de comunicações da Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido ao portal.